Tragédia é quando a gente não viveu

Certa vez um palestrante foi questionado em uma rádio a dar uma dica de sucesso. Respondeu prontamente que sucesso é uma consequência daquilo que se faz com amor.

Porém, ao fundo tocava uma música que falava de tempo e da janela se viam os quartos da Santa Casa.

Começou a imaginar quantas pessoas naquele momento estão hospitalizadas em leitos de UTI querendo nessa vida um pouquinho mais de tempo. Prá viver ou prá sobreviver.

Se eu fosse conversar com aquelas pessoas e perguntasse o que elas mais queriam, eu tenho certeza que elas trocariam dinheiro, fama, carro, casa, qualquer coisa para ter um pouco mais de tempo.

E aí naquela hora me veio a mente que talvez TER sucesso é saber aproveitar o tempo que você tem. Porque olha só como é contraditória e paradoxal nossa vida:  nós basicamente ansiamos por crescer, desejamos crescer, queremos ser grandes adultos e quando atingimos a fase adulta o que a gente mais quer é poder ser e viver como uma criança, ter a pureza de uma criança.

Nós praticamente sacrificamos a nossa saúde para ter um recurso financeiro, para ter um dinheiro e aí no fim da vida nós começamos a perceber que nós damos todo o nosso dinheiro de volta pra ter saúde novamente.

A gente fica tão preocupado com o futuro que esquece de viver o presente e aí quando você percebe, você não está no futuro e não viveu o presente. Paradoxal né?

Pensa comigo que nós muitas vezes vivemos como se não fossemos morrer e aí quando a gente está perto de morrer a gente percebe que estamos morrendo sem termos vivido. Por que? Porque a gente não soube aproveitar o que de mais precioso nós temos nessa vida que é o nosso tempo.

Para e pensa, quanto tempo você está aí brigado com alguém que você gosta. Há quanto tempo você está desejando dizer para alguém que você ama, que você gosta ou um muito obrigado, por favor, ou me desculpe, gratidão… ah não tenho tempo agora.

Não tenho tempo para visitar meu pai, minha mãe, minha família, meu amigo, só que quando você recebe uma ligação que alguém morreu você larga tudo que você está fazendo e vai para lá, para chorar sobre o corpo e aí já não dá mais tempo.

Tempo talvez seja o bem mais precioso que nós temos nesse mundo, nessa vida. Até porque se você pegar a palavra vida, experimente retirar a letra “V” da palavra vida, olha só par ao que fica IDA, e a vida é assim, é o caminho de IDA, perdeu tempo, infelizmente não tem volta.

Quanto tempo mais na sua vida você vai passar perdendo tempo?


Não é uma tragédia – Marcos Piangers

Essas coisas acontecem
Um jovem adoece no verão
Um senhor é atropelado por um táxi
A biópsia aponta que o tumor é maligno
Essas coisas acontecem todos os dias
E todos os dias saímos de casa achando que jamais acontecerá conosco
Uma doença leva embora um pai
O médico comunica um exame preocupante
Uma moto atravessa um sinal fechado
Todos os dias isso acontece
E todos os dias nossos planos são os mesmos
Trabalho, almoço, trabalho, jantar
Não acho que seja uma tragédia quando essas coisas acontecem com a gente
Dizemos: “Que tragédia! Morreu tão cedo!”
Não acho que seja uma tragédia
Acho que a vida é um amontoado de caos e coincidência
Acho que hoje estamos aqui e amanhã não estamos mais

Uma tragédia é não agradecer por esse tempinho que estamos aqui
Uma tragédia é não valorizar a vida em família
Uma tragédia é trocar o sorriso do nosso filho pelo celular
Um passeio em família pelas preocupações do trabalho
Uma tragédia é não abraçar as pessoas hoje
Uma tragédia é passar a vida em branco
Uma tragédia é achar que um dia vamos ser felizes, hoje não
Uma tragédia é achar que não vai acontecer com a gente
E a vida vai ficando para depois

Um dia eu mudo de emprego
Um dia eu digo que gosto dela
Um dia eu faço uma viagem
Um dia eu vou ser voluntário nesse projeto
Acho uma tragédia quando aprendemos a valorizar o que temos só depois de perder
Acho uma tragédia viver de aparências
Acho uma tragédia ter comprado coisas achando que isso seria felicidade
Acho uma tragédia trabalhara em algo que você odeia
A morte não é uma tragédia
Tragédia é quando a gente não viveu


Tragédia é quando a gente não viveu. E o que se considera por “viver”.

Viver é deixar algum legado, ter feito alguma coisa enquanto esteve nesta existência. Mas que essa “coisa” tenha repercussão na construção do nosso espírito, que transcenda a vida material e nos acompanhe no além-túmulo.

Bens materiais desmoronam com o tempo. Conquistas do espírito não. Viver é termos uma causa. É abraçarmos uma causa.


Ser grande é abraçar uma grande causa – William Shakespeare

… Todos os humanos são grandes. Mas alguns são grandiosos pelo fato de não se fecharem no pequeno mundo do individualismo.

Parece existir uma força que quase obriga o pensar somente em si mesmo. O altruísmo é fantástico. Olhar para além do horizonte, extrapolar a média comum dos mortais, eleger o bem comum como ideal a ser alcançado…

Além de dar conta das necessidades básicas, é importante que cada um assuma o seu lugar e a sua missão, enquanto peregrino neste mundo. Além de pensar no sustento e na solução dos problemas, há algo a mais a ser feito.

Qual a causa que você está abraçando? Nenhuma? Então, você não está vivendo. A vida supõe um espaço para algo que não dê retorno material. O que você está fazendo e que não recebe nada em troca? O econômico é apenas um momento da vida.

Há outros ganhos que fogem de pagamento para intensificar o prazer e a alegria de ter ajudado. Fazer o bem é uma causa nobre.

É uma oportunidade que a vida concede para que a alegria se torne perene. Pessoas caridosas não são visitadas pela tristeza. Se você ainda não abraçou uma causa, não perca tempo.

Há muito a ser feito. Gente do bem não experimenta solidão. Para ser grande é necessário fazer-se pequeno para melhor servir.

Trechos do texto de Frei Jaime Bettega


Aqui entra então o complemento das ideias iniciais de “não perder tempo”, de “tragédia é não viver” e finalmente esse: que é necessário fazer algo, abraçar uma causa.

Importante refletir que ter uma causa é diferente de abraçar uma causa. Abraçar prescinde de ação, de atitude. “ter uma causa” parece ficar somente no nível do pensamento, mas abraçar requer a nossa ação.

Entra então o conceito da caridade. O Espiritismo nos traz a máxima “Fora da caridade não há salvação”.

Chico Xavier em um texto sobre a caridade nos alerta: “Sem a caridade do auxílio incessante aos pequeninos, a vaidade viverá fortalecida em nosso espírito invigilante.”

Um trecho importante do texto ressalta “enquanto peregrino neste mundo”.

“Além de dar conta das necessidades básicas, é importante que cada um assuma o seu lugar e a sua missão, enquanto peregrino neste mundo. Além de pensar no sustento e na solução dos problemas, há algo a mais a ser feito.”

Ou seja, estamos inseridos em um modelo que requer que busquemos o nosso sustento material e a solução dos problemas, porém estamos inevitavelmente de passagem, somos peregrinos neste mundo e dele só levaremos as conquistas do espírito e o bem que fizermos aos outros (a caridade, a benevolência, a paciência, o amor etc.)

Nos alerta que não devemos centralizar os nossos esforços apenas no “eu” e que devemos possuir alguma causa não-material que nos mova. Que nos faça lutar por ela.

Muitas oportunidades estão de portas abertas ao trabalho voluntário:

  • Ajudar no Centro Espírita, na Igreja ou qualquer outra instituição que promova ações assistenciais
  • Ajudar no Clube de Mães
  • Se engajar na Campanha do Agasalho
  • Participar de alguma entidade beneficente, independente do cunho religioso que ela possa ter.
  • Colaborar com entidades que ajudam e protegem os animais
  • Fazer algo pela escola do bairro ou infraestrutura da comunidade
  • Ser voluntário em ações públicas
  • Auxiliar entidades que prestam assistência a portadores de alguma deficiência, ou dependentes químicos, ou idosos.

Precisamos gravar em nosso coração alguma causa que nos mova.

Poderíamos fazer mais, a humanidade como um todo poderia fazer mais. Se assim fosse, diminuiríamos a dor dos oprimidos e necessitados.

Estaríamos vivenciando o Cristo, quando disse “amai-vos uns aos outros” e ainda receberíamos muito por isso. Pessoas caridosas não são visitadas pela tristeza, gente de bem não experimenta solidão. Ganhamos muito quando nos dedicamos ao outro. Nossos problemas tornam-se minúsculos perto dos reais problemas encontrados no próximo, e nossa lamentação fica tão sem sentido que ela se extingue da nossa palavra.

Aqueles aos quais somos caridosos são espíritos que podem ser nossos familiares, com uma roupagem diferente e nascidos em outras famílias.

Cruzam nosso caminho diariamente, aguardando um gesto caridoso, e nós simplesmente vamos embora atrás dos compromissos da vida material, que nada restarão ao findar nossa passagem. E deixamos de aproveitar as valorosas oportunidades que a justiça divina nos coloca à frente. Mãos que podem trabalhar, pernas que podem nos locomover, intelecto sadio que pode laborar em qualquer atividade, mesmo assim, não fazemos nada ou muito pouco pelo nosso irmão necessitado.

Vamos abraçar alguma causa, antes que o destino tire-nos a oportunidade desta existência, e tenhamos passado em branco, sem nenhuma construção de benevolência.

Pessoas caridosas não são visitadas pela tristeza, gente de bem não experimenta solidão.

Vamos construir em nossa alma as coisas verdadeiras. Conforme Francisco de Assis:

“O que pertence à alma é aquilo que essa alma pode conduzir consigo, onde quer que vá, onde quer que esteja.”

Centro Assistencial Portal da Luz

Rua Antônio Rossato, 596 – Bairro Marechal Floriano – Caxias do Sul – RS – Fone: (54) 3211.4937