Parábola da Candeia

“Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entrem a possam ver.”

Sobre os termos candeia e alqueire. Candeia = antigo lampião, usado para iluminar o interior das casas. Alqueire = antigo utensílio doméstico para armazenar grãos, geralmente ficava sob a mesa.

Jesus quis dizer que a luz deve ser colocada em local apropriado, que ilumine a todos daquele ambiente, e não deve ser escondida, pois assim seria inútil.

Esta parábola tem muito a ver com o esclarecimento do homem, com a sua saída da ignorância, o “ver a luz” da candeia reflete o “iluminar” do conhecimento. Quando o homem se esclarece, ele se ilumina e seu conhecimento acerca das coisas sai da obscuridade.

Entretanto, tudo tem seu tempo, uma luz forte demais pode ofuscar sem esclarecer. Todo ensinamento deve ser proporcional à inteligência daquele a quem se queira instruir. Por isso, Jesus não revelava claramente toda a sua doutrina e usava de parábolas para que aos poucos o homem fosse extraindo delas o entendimento.

As gerações têm sua infância, sua juventude e sua maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina. E, o que está escondido, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz; pesa-lhes a obscuridade.

Tendo Deus dado ao homem a inteligência, ele tem a condição de raciocinar sobre sua fé.

Então, nesta parábola temos uma grande relação com o esclarecimento do homem e sua fé – fé raciocinada neste caso, pois a fé cega é ignorância.

“Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da humanidade”. Allan Kardec

A Doutrina Espírita apresenta uma nova maneira de ver a Fé. Este é um ponto que julgamos importante, pois enquanto ainda temos religiões que manipulam as consciências, incutindo idéias de medo, impondo comportamentos, reduzindo a liberdade, o Espiritismo deixa o pensamento fluir livremente para que o indivíduo possa desenvolvê-lo.

A Fé raciocinada baseia-se na busca do entendimento e do discernimento.

Há uma lucidez maior dos conhecimentos adquiridos e uma melhor captação de conhecimentos novos. Para que se obtenha esta compreensão geral, aumentando-a paulatinamente, torna-se necessário que a nossa inteligência esteja ativa, para podermos exercitá-la através da vontade. Com a inteligência teremos facilidade de adquirir conhecimentos novos e tornar presente ou consciente os já adquiridos. Estes, serão sempre assoalho para o apoio de novas informações. Assim é a Fé Espírita, com características próprias e especiais. A Fé Espírita não bloqueia a vontade nem a expressão do ser humano; ao contrário, amplia a vontade e a capacidade de expressão.

Daí Allan Kardec dizer que a Fé Espírita “não pode ser prescrita ou imposta, por aquele que a tem, ninguém a poderá tirar e àquele que não a tem ninguém poderá dar”. Diz o Codificador que “a Fé é sinal evidente de progresso”. O Espiritismo, como Doutrina reencarnacionista e evolucionista, tem na sua Fé uma conseqüência desse progresso que o indivíduo vai pouco a pouco conquistando, vivenciando. O progresso vai facilitando melhores elaborações em estágios sempre renovados.

Portanto, Fé não se consegue como que “por um passe de mágica”. Ela é a certeza, a segurança e a confiança já conquistadas e que num dado momento o indivíduo experiência. A Fé está relacionada a obras, assim, uns possuem mais Fé, outros menos. Para a realização das obras – e das conquistas – é necessário estudo e trabalho que resultam em experiência. O que se pode afirmar é que haverá sempre uma nova tarefa a ser executada, a nos provar, a nos testar e, assim, vamos obtendo maior firmeza na execução, ou seja, maior Fé.

Esse homem pode, em teoria, aceitar que Deus existe e, apesar disso, não ter fé. Ter fé é estar em sintonia com Deus, tanto pela consciência como também pela vivência, ao passo que um homem sem sintonia com Deus pela consciência e pela vivência, pode crer vagamente em Deus. Crer é somente um ato mental, porém ter fé é uma atitude de consciência e de vivência”, argumenta.

Por isto ouvimos muitas vezes, “a fé é mãe da caridade”.

A importância do Espírita ter esse entendimento da Fé, o levará a vivenciar melhor a atual existência, o aqui e agora, e a pautar todos os seus atos dentro de uma moral e de uma ética elevada. O Espiritismo facilita a reparação dos erros numa experimentação consciente e nisto está o fortalecimento da Fé. Todo este entendimento nos conduzirá à certeza, à confiança e à esperança, proporcionando-nos encarar de frente a razão em todas as épocas da humanidade.

É o conceito que chamamos fé raciocinada, é através dela que o espiritismo projeta luz sobre uma imensidade de pontos obscuros. Podemos d’izer que o espiritismo faz papel da candeia no candeeiro, a iluminar as consciências.

O que o Espiritismo pode fazer por você:

– Concede-he o direito à fé raciocinada. Destaca-lhe o imperativo da caridade por dever. (Fé sem obras é morta)

– Integra você no conhecimento de sua posição de criatura eterna e responsável, diante da vida. Você é seu responsável. Deus te deu o livre-arbítrio (a liberdade) para pensar e agir, no entanto, colheremos inevitavelmente aquilo que plantarmos.

– Expõe o sentido real das lições do Cristo.

– Revela-lhe o princípio da reencarnação, determinando o porquê da dor e das aparentes desigualdades sociais. Suprime-lhe as preocupações originárias do medo da morte, provando que ela não existe!

– Confere-lhe forças para suportar as maiores vicissitudes do corpo, mostrando a você que o instrumento físico nos reflete as condições ou necessidades do espírito.

– Tranqüiliza você com respeito aos desajustes da parentela, esclarecendo que o lar recebe não somente afetos, mas também os desafetos de existências passadas, para a necessária regeneração.

– Demonstra-lhe que o seu principal templo para o culto da presença Divina é a CONSCIÊNCIA. Ou seja, a nossa própria consciência nos julga.

– Liberta-lhe a mente de todos os tabus em matéria de crença religiosa. Desmistifica e amplia o conhecimento mostrando com clareza a simplicidade de todas as dimensões da existência.

– Elimina a maior parte das preocupações acerca do futuro além da chamada morte.

– Dá-lhe o conforto do intercâmbio com os entes queridos, depois de desencarnados.

– Permite a presença entre nós de Espíritos de sublime elevação para prestar esclarecimentos e acalentar os nossos corações.

– Entrega-lhe o conhecimento e a capacidade da Mediunidade.

– Concede-lhe a certeza natural de que se beneficiamos ou prejudicamos alguém, estamos beneficiando ou prejudicando a nós próprios.

– Garante-lhe resignação, serenidade e paz diante das calúnias ou das críticas.

– Explica-lhe que, por maiores que sejam as dificuldades exteriores, intimamente você é livre para melhorar ou agravar a própria situação.

– Patenteia-lhe que a fé ilumina o caminho, mas ninguém fugirá da lei que manda atribuir a cada qual segundo suas obras.

Conclusão:

“Ninguém, depois de acender uma candeia, a cobre com um raso ou a põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz. Porque não há coisa oculta que não venha a ser manifesta; nem coisa secreta que se não haja de saber e vir à luz.” (Lucas, VIII, 16-18.)

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