Devolver em luz o que se recebe em trevas

Nosso ponto de partida é que quisermos um dia viver numa condição mais feliz, precisamos evoluir. Impossível evoluirmos sem termos conquistado a virtude do perdão. Difícil nos dias de hoje, aparentemente impossível em alguns casos, já que vivemos numa sociedade violenta. Mas, temos que refletir sobre isto e nos preparamos para isto.

O perdão na visão da Psicologia profunda é dar o direito de cada um ser como é. E também a nós o direito de sermos como somos. Se o próximo é daquele jeito, não cabe a nós modificá-lo. Cabe a nós, NOS modificarmos para melhor. E temos a possibilidade de algo chamado autotransformação. E nunca devolver mal com mal; procurar sempre retribuir o mal com o bem. Se o outro me calunia, por exemplo, eu não posso caluniá-lo também porque estarei sendo igual a ele. Toda vez que sentimos raiva de alguém, estamos sendo manipulado por esse alguém, estamos permitindo que um desequilibrado me oriente. Devo dar o direito ao outro de ser inferior. Se acharmos que ele nos ofendeu, se ele nos caluniou, tanto eu como ele sabemos que é mentira dele. Se nos traiu, somos a vítima e ele sabe que é nosso algoz. Então o problema é da consciência dele. Vamos deixá-lo com os problemas dele e não vamos cultivar isso, dominados pelo ódio, odiando também.

Cabe ressaltar que perdoar é diferente de esquecer. Não devolver o mal depende de mim; esquecer depende da minha memória. Então nós temos que nos dedicarmos em não devolver o mal. Tenha a raiva, mas não a conserve que faz muito mal. Sentimos o impacto de uma atitude injusta, desleal, cruel até, e não temos como evitar a raiva, é da natureza humana, é fisiológico. Agora, conservar a mágoa, alimentar a mágoa é da minha vontade. Se eu conservar a mágoa tenho um transtorno psicológico, sou masoquista, gosto de sofrer. O outro vai embora e a gente fica aquele depósito de lixo, intoxicando-se. O racional é nos libertarmos de tudo que nos perturba. Somos seres inteligentes e possuímos os mecanismos de libertação.

À medida que formos trabalhando, a mágoa, a ofensa, vai perdendo o significado. À medida que vamos descobrindo nossos valores, ela vai desaparecendo (importância do auto-conhecimento). Divaldo conta o caso de alguém que, na festa de aniversário, recebeu de presente de uma pessoa que não gostava dela, um vaso de porcelana, com um bilhete: “Recebe o meu presente, e dentro dele o que você merece”. Dentro dele havia dejetos humanos. No aniversário da pessoa que havia enviado tal “presente”, o nosso personagem lhe enviou o mesmo vaso, com os dizeres: “Estou devolvendo o vasilhame. O seu conteúdo coloquei num pé de roseira, e estou lhe enviando as rosas que saíram dali”. É um ato de perdão, devolver em luz o que se recebe em trevas. É isso que precisamos buscar, ser assim um dia, é necessário para nossa felicidade futura.

Seja gentil com você. Ame-se. Não permita que ninguém torne sua vida insuportável, nem para você, nem para os outros.

Nosso objetivo é olhar quem nos ofende ou nos causa algum mal como um terapeuta olha um doente. Divaldo conta o caso da pessoa que foi visitar um hospital de doentes mentais e lhe chamou a atenção. Os internados passavam perto do psiquiatra e falavam absurdos, e ele ouvia, silenciava, ou concordava, e continuava a caminhada. No final, o visitante perguntou o porquê da atitude dele, ao que respondeu: Eu sou saudável, não posso me atingir com o que dizem ou fazem, pois são doentes… E aí podemos perguntar: Será que a Terra não é um grande hospital?… Será que toda a sociedade não está doente? E aí cabe a nós espíritas, trabalhadores do bem de qualquer religião auxiliar no tratamento.

Devemos dar o direito de a pessoa ser agressiva, mas não nos dar o direito de revidar a agressão. Devemos ser aquele agente que dilui as energias negativas da sociedade, ou da família, ou do local de trabalho.

Bezerra de Menezes lembra que devemos orar em favor dos que fazem os outros sofrerem. Geralmente pedimos pelos que sofrem, mas os que fazem sofrer estão em situação pior.

Jogue fora suas batatas

Um professor pediu aos alunos que levassem uma sacola com batatas para a sala de aula. Solicitou que separassem uma batata para cada pessoa que os magoara ou de alguma forma os fizera sofrer. Então escrevessem o nome da pessoa na batata e a colocassem dentro da sacola.

Eles começaram a pensar, e foram lembrando uma a uma…

A tarefa seguinte consistia em, durante uma semana, carregar consigo a sacola com as batatas para onde quer que fossem. Com o tempo as batatas foram se deteriorando. Era um incômodo carregar a sacola o tempo todo e ainda sentir seu mau cheiro. Além disso, a preocupação em não esquecê-la em algum lugar fazia com que deixassem de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles.

E foi assim que os alunos entenderam a lição de que carregar mágoas é tão ruim quanto carregar batatas. Quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o stress e roubando nossa alegria.

Perdoar e deixar estes sentimentos irem embora é a única forma de trazer de volta a paz e a calma.

Vamos lá! Jogue fora suas “batatas”! E sorria!

Jesus e o perdão

“Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados”. (Mateus, VI: 14-15)

O perdão é um dos capítulos mais singelos e importantes dos ensinamentos de Jesus. Antes dele esse tema não tinha recebido o destaque que merecia. Vivíamos em uma época onde predominava a lei de talião, do olho por olho, dente por dente. O perdão aos inimigos não era considerado. Mas Jesus sabia dos inúmeros agravantes que os ressentimentos produziam na alma humana e que somente o perdão seria capaz de libertar o indivíduo da escravidão de suas mágoas ou de seus remorsos. Por isso ele falava tanto em perdoar.

Por isso disse: “… deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então voltai a apresenta-la”. O que ele quis dizer? Que se estamos nesse mundo é porque precisamos viver neste mundo, não adianta querermos fazer oferendas a Deus, enquanto tivéssemos ressentimento no nosso coração. Reconciliemo-nos com o nosso irmão e depois, então, estaremos em melhores condições para fazer a oferenda de nosso trabalho ao Criador.

“Quem de vós nunca pecou atire-lhe a primeira pedra”

A vida de cada um passa por várias fases de desgosto, ingratidão, ofensas, traições, agressões diversas, intrigas e demais conflitos que provocam as mágoas nas profundezas do espírito. Todos já tiveram, portanto, motivos para se sentirem ressentidos, tristes e raivosos.

Retire o perdão do patamar das coisas inacessíveis e muito elevadas. Coloque-o ao alcance do dia-a-dia. Se fosse inacessível, Jesus não o teria trazido para nós.

Centro Assistencial Portal da Luz

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