Aborrecimentos

Nada mais comum, nas atividades terrenas, do que o hábito enraizado das querelas, dos desentendimentos, das chateações.

Nada mais corriqueiro entre os indivíduos humanos.

Como um campo de meninos, em que cada gesto, cada nota, cada menção se torna um bom motivo para contendas e mal-entendidos, também na sociedade dos adultos o mesmo fenômeno ocorre.

Mais do que compreensível é que você, semelhante a um menino de pavio curto, libere adrenalina nos episódios cotidianos que desafiem a sua estabilidade emocional.

Compreensível que se agite, que se irrite, que alteie a voz, que afivele ao rosto expressões feias de diversos matizes.

Em virtude do nível do seu mundo íntimo, tudo isso é possível de acontecer.

Contudo, você não veio à Terra para fixar deficiências, mas para tratá-las, cultivando a saúde.

Você não se acha no mundo para submeter-se aos impulsos irracionais, mas para fazê-los amadurecer para os campos da razão lúcida.

Você não nasceu para se deixar levar pelo destempero, pela irritação que desarticula o equilíbrio, mas tem o dever de educar-se, porque tem na pauta da sua vida o compromisso de cooperar com Deus, à medida que cresça, que amadureça, que se enobreça.

Desse modo, os seus aborrecimentos diários, embora sejam admissíveis em almas infantis e destemperadas, já começam a provocar ruídos infelizes, desconcertantes e indesejáveis, nas almas que se encontram no mundo para dar conta de compromissos abençoados com Jesus Cristo e com Seus prepostos.

Assim, observe-se. Conheça-se no aprendizado do bem, um pouco mais. Esforce-se por melhorar-se.

Resista um pouco mais aos impulsos da fera que ainda ronda as suas experiências íntimas.

Aproxime-se um pouco mais dos Benfeitores Espirituais que o amparam.

Perante as perturbações alheias, aprenda a analisar e não repetir.

Diante da rebeldia de alguém, analise e retire a lição para que não faça o mesmo.

Notando a explosão violenta de alguém, reflita nas consequências danosas, a fim de não fazer o mesmo.

Cada esforço que você fizer por melhorar-se, por educar-se, será secundado pela ajuda de luminosos Imortais que estão, em todo tempo, investindo no seu progresso, para que, pouco a pouco, mas sempre, você cresça e se ilumine, fazendo-se vitorioso cooperador com Deus, tendo superado a si mesmo, transformando suas noites morais em radiosas manhãs de perene formosura.

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Quando você for visitado por uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponha-se a ela.

E, quando houver conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, diga, de si para consigo, cheio de justa satisfação: Fui o mais forte.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 13 do livro – Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.


Brasa ardente

O ressentimento já foi comparado a uma brasa ardente que seguramos com a intenção de jogá-la em outra pessoa, enquanto queima a nossa mão.

Ou então, um veneno que tomamos esperando que o outro morra.

Na verdade, a palavra ressentimento é a forma substantivada de ressentir – sentir intensamente e sentir de novo.

Quando estamos ressentidos, sentimos intensamente a dor do passado de novo e de novo.

Isso não só desgasta o nosso bem-estar emocional, como também ataca, de uma maneira poderosa e negativa, nosso bem-estar físico.

De certa forma, quando guardamos ressentimento, rancor, estamos nos aprisionando voluntariamente à dor.

Alguns poderiam então questionar: Isto quer dizer que escolhemos guardar mágoa? Há, então, uma escolha? Pois parece que não. Parece que é mais forte que nós.

É difícil de perceber, principalmente para aqueles que ainda não se conhece bem. Mas, sim, é uma escolha que fazemos.

Sentir raiva é natural, uma reação, de certa forma, animal. Sentir-se magoado, também.

Joanna de Ângelis, Espírito, nos esclarece:

É compreensível o surgimento de uma certa frustração e mesmo de desagrado diante de confrontos e de agressões promovidas por outrem, dando lugar a mágoas, que são uma certa aflição de caráter transitório.

Não, porém, à instalação do ressentimento.

O que ela ensina é que é perfeitamente natural termos a alma ferida com este ou aquele acontecimento, porém, carregar essa dor por tempo indeterminado no coração, é uma escolha perigosa.

É uma brasa ardente, realmente, que vai queimando por dentro, dia após dia, ano após ano, sem trazer benefício algum à alma que sofre.

Dessa forma, precisamos realizar um trabalho interior para nos livrarmos desse ressentimento o quanto antes, evitando prejuízos maiores para nós mesmos.

Esse movimento passa pela desvalorização do que consideramos ofensivo, daquilo que nos feriu profundamente.

Isso significa deixar de dar tanto valor a um fato, a um acontecimento para que nosso coração se acalme, olhe para frente e deixe de se apegar tanto a questões que já estão no passado.

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O prazer de ser livre é incomparável…

Poder deitar a cabeça no travesseiro todas as noites e dizer que não guarda mágoa de ninguém é vitória da alma sobre o ressentimento avassalador.

Não nos preocupemos com a impunidade do agressor, do ofensor. Num Universo regido por leis perfeitas, criado por um Deus soberanamente justo e bom, nada fica impune, tudo tem sua consequência.

Perdoar, esquecer é também uma escolha pela saúde do Espírito e do corpo, uma vez que, livres do rancor, igualmente ficamos livres das doenças associadas diretamente ao ressentimento.

Relevemos. Perdoemos. Vivamos a alegria e a liberdade de não carregar ressentimento em nosso coração.

Redação do Momento Espírita com base no cap. Ressentimento, do livro Conflitos existenciais, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.


A Água da Paz

“Quando alguém lhe provocar irritações, pegue um copo de água, beba um pouco e conserve o resto na boca. Não a ponha fora, nem a engula. Enquanto durar a tentação de responder, deixe a água banhando a língua. Esta é a Água da Paz.”

(Chico Xavier)

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